sábado, 2 de fevereiro de 2013

Estruturação do Modelo de Jogo

             

Há alguns anos presenciamos uma nova premissa do treinamento dos esportes coletivos. Essa metodologia, baseada e estruturada a partir do jogo, rompe com a ideia cartesiana do treinamento desportivo. Depois de entendermos os conceitos dessa metodologia nos deparamos com a prática, aí os desafios se apresentam ainda mais palpáveis, enormes. O que treinar? Como treinar? Vou citar essas duas questões apenas, mas poderíamos mencionar outras tantas...
             Pois bem, dentro da nossa concepção de equipe de futsal, planejamos uma forma de jogar, um maneira de nos comportar em quadra, esse é o modelo de jogo do qual falamos. Na construção deste modelo, devemos conhecer os nossos atletas, suas capacidades e o quanto eles conhecem e entendem o jogo. O modelo de jogo é a soma dos seguintes conceitos:

Ideia de Jogo do Treinador 

Princípios de Jogo 
Organização Funcional 
Características dos Jogadores 
Organização Estrutural
                 Segundo Guilherme Oliveira (2003), “ os princípios de jogo e os sub princípios de jogo são comportamentos e padrões de comportamento que o treinador quer que sejam revelados pelos seus jogadores e pela sua equipe nos diferentes momentos de jogo. Esses comportamentos e padrões de comportamento quando articulados e entre si evidenciam um padrão de comportamento ainda maior, ou seja, uma identidade de equipe a qual denominamos de organização funcional”. 
                Os princípios e os sub princípios de jogo e a respectiva organização funcional são definidos e orientados por quatro momentos que estão presentes em qualquer jogo de futsal que seja disputado:
Organização defensiva.
Organização ofensiva.
Jogo de Transição (contra-ataque): ataque – defesa
Jogo de Transição (contra-ataque): defesa – ataque. 


Organização Defensiva:

1. Sem a posse da bola o objetivo principal é evitar gols contra ou a criação de gols contra;

2. Usar o espaço e o tempo em relação com os companheiros e oponentes utilizando as qualidades dos companheiros e dos oponentes;

3. Bom posicionamento defensivo, formando um bloco compacto com linhas muito próximas;
4. Utilização de uma zona “pressing” alta de modo a permitir a recuperação da bola perto da goleira adversária.
Organização Ofensiva:

1. Com a posse da bola o objetivo mais importante é marcar gols, criar muitas possibilidades de fazê-los;

2. Usar o espaço e o tempo em relação com os companheiros e oponentes;

3. Ter a posse de bola o maior tempo possível;
4. Ter um bom jogo posicional e qualidade no primeiro toque para a equipe ter velocidade na circulação da bola;
5. Executar o plano de jogo de ataque dividido em 4 fases: Construção, preparação da criação, criação de situações e finalização.

Contra-ataque – Transição Defesa - Ataque:
1. No momento em que recuperamos a posse de bola o objetivo principal é aproveitar a desorganização posicional do adversário, para criar o mais rápido possível possibilidades de marcar o gol; 
2. Sempre que não for possível jogar para a frente de imediato, retirar a bola da zona de pressão, tornando o campo o maior possível.

Contra-ataque - Transição Ataque - Defesa:
1. No momento em que a equipe perde a bola o objetivo principal é a equipe organizar-se defensivamente o mais rápido possível, tornando a quadra mais curta, para evitar que o adversário possa criar possibilidades de gol;
2. Para dar tempo à reorganização defensiva, fundamental abordar de imediato a ação do jogador adversário de posse da bola.
3. Utilização de faltas táticas sempre que necessário para matar tentativas de contra-ataque do adversário, se possível.

Organização Estrutural: disposição dos jogadores na quadra, ou seja, o Sistema de Jogo, Desenho Inicial, Situação Inicial (2-2,4-0, 3-1, etc…) e seus padrões de movimentações que a equipe vai utilizar, que deve potencializar então a ideia de jogo do treinador, os princípios de jogo e as capacidades e características dos jogadores.

          ALGUNS PRINCÍPIOS DO JOGO DE FUTSAL
Ataque                                                                        Defesa
Penetração                                                                Contenção
Cobertura ofensiva                                                   Cob. Defensiva 
Mobilidade                                                                 Equilíbrio 
Espaço                                                                       Concentração


           Princípios do jogo de ataque


Penetração/Progressão
  1. Objetivos:
- Criar vantagem espacial e numérica
- Atacar a goleira e o adversário direto


2. Comportamentos:

- após a recuperação da bola o jogador deve orientar-se para a goleira adversária
- Livre de oposição e com espaço, arrematar ou progredir para  o gol adversário
- Com oposição, deverá passar a bola ao companheiro mais próximo da baliza adversária


3. Ações tático-técnicas:


- Condução
- Condução para remate
- Remate
- Drible




Cobertura Ofensiva
  1. Objetivos:
- Apoiar o companheiro com bola (proporcionar linhas de passe para assegurar a posse coletiva)
- Equilibrar defensivamente a equipa

2. Comportamentos:
- Colocar-se atrás e ao lado do jogador de posse da bola
- Impedir o fechamento da linha de passe (fornecida ao portador da posse da bola) por parte do seu defensor direto

3. Ações tático técnicas:
- Passe; alvo, trajetória da bola, superfície de contato do pé, superfície de contato da bola (e corrida de balanço)
- Recepção da bola ; trajetória, superfícies de recepção
- Combinações táticas entre dois jogado

Mobilidade
  1. Objetivos:
- Ruptura e desequilíbrio da estrutura defensiva adversária (proporcionar linhas de passe para conquista de espaços mais ofensivos)


2.Comportamentos:
- Realizar variação de posições
- Ocupar espaços livres
- Utilizar espaços livres
- Criar espaços livres


3.Ações táctico técnicas:
- Combinações táticas em dois, três ou quatro jogadores

Espaço
1.Objetivos:
- Estruturação e racionalização das ações coletivas ofensivas, proporcionando maior amplitude ao ataque
2.Comportamentos:
- Criar largura e profundidade nas ações ofensivas através de comportamentos individuais e coletivos
3.Ações tático técnicas:
- Combinações tácticas
- Esquemas tácticos
- Circulações tácticas
- Métodos de jogo ofensivo
- Sistemas táticos

Princípios do jogo de defesa
Contenção
  1.Objetivos:
- Parar o ataque adversário
- Dar tempo para a organização defensiva (temporização)
2.Comportamentos:
- Aproximação imediata ao portador da bola, aumentando a sua distância a goleira
- Perto do adversário, diminuir a velocidade de aproximação
- Orientar o seu opositor em direção a um companheiro de equipe ou às linhas laterais
- Tentar o desarme ou, não o conseguindo, pressionar o portador da bola obrigando-o a virar as costas ao sentido do seu ataque
3.Ações tático técnicas:
- Marcação
- Desarme

Cobertura Defensiva 
 1.Objetivos:
- Apoiar o companheiro que marca o adversário com bola
- Evitar a inferioridade numérica
2.Comportamentos:
- Deslocar-se de acordo com as movimentações do(s) adversário(s) (direto e indiretos)
- Assumir a tarefa realizada pelo seu colega de equipa em caso de ultrapassagem deste pelo portador da bola
3.Ações tático técnicas:
- Marcação
- Dobra
- Intercepção

Equilíbrio
1.Objetivos:
- Manter a estabilidade e o equilíbrio da estrutura defensiva própria
2.Comportamentos:
- Preservar espaços livres
- Vigiar os jogadores livres
- Cobrir eventuais linhas de passe
3.Ações tático-técnicas:
- Marcação
Concentração
1. Objetivos:
- Estruturação e racionalização das ações coletivas defensivas no sentido de dar maior amplitude à defesa
2. Comportamentos:
- Congregar os jogadores no centro do jogo através do balanceamento coordenado dos vetores largura e profundidade
- Assumir um compromisso entre a concentração dos jogadores e esses vetores
- Aproximar as linhas defensivas
- Utilizar em simultâneo os referenciais da bola, baliza e adversários para a correta colocação dos defensores 
3. Ações tático técnicas:
- Dobras
- Compensações
- Métodos de jogo defensivo
- Sistemas de jogo

Como vemos, a estruturação do modelo de jogo requer um tempo para
estudos e a elaboração da planilha de treinos deve contemplar as
 premissas mencionadas no planejamento. Convém salientar que os
 princípios e os sub princípios de cada modelo de jogo variam de
 treinador para treinador. Nesta explanação, citamos apenas alguns

 princípios de jogo do futsal. A tua equipe os teus conceitos...
Bons treinos a todos.....

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Mais que esporte


Briga de gigantes, batalha de egos, duelo de vaidades... Qualquer nome pode se encaixar nessa história de Manoel Tobias e Falcão. Ontem, no esporte espetacular, tudo isso teve um fim. Pouco me interessa o porquê disso tudo, o que realmente tem valor é que os nossos maiores jogadores deram um importante passo, onde os maiores vencedores foram eles mesmos, suas famílias, amigos, companheiros e o futsal. Parabéns pela atitude Falcão e Manoel. Vocês passaram por cima do orgulho e isso demonstra humildade, respeito e companheirismo...

             

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Lembranças

Nos últimos anos tive o prazer de ministrar as disciplinas de futsal e futebol na UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) em Curitiba. Passaram por minhas aulas vários alunos, acadêmicos do curso de Educação Física, gurias, guris, amantes do futsal e futebol, simpatizantes e aqueles que desconhecem os esportes, até aí, nada de incomum. Num determinado semestre, organizamos uma viagem até Jaraguá do Sul (SC) pra vermos a Taça Brasil. Lá fomos nós, ao final de tudo pedi um relato de experiência da disciplina. Transcrevo, novamente (já havia publicado esse texto), um desses relatos que massageiam o ego, nos enchendo de orgulho... 

Nesse semestre, dentro da disciplina de futsal, tivemos a oportunidade de conhecer uma forma diferente de trabalhar o esporte. Diferentemente das outras disciplinas que tivemos até agora na faculdade, o futsal foi à única que conseguiu despertar interesse em todos os alunos e fez com que todos conseguissem, ao mínimo, jogar. Isso só foi possível devido à metodologia de trabalho utilizada pelo professor. Em outras disciplinas dentro do curso, sempre trabalhamos os esportes através dos métodos parciais, com pouca parte das aulas se destinando ao jogo propriamente dito. Mas, com o futsal foi diferente. Através dos jogos condicionados utilizados e criados pelo professor, conseguimos conhecer uma forma de dar aula que motiva muito mais os alunos, causa muito mais interesse e inclui todos os alunos na participação das atividades. Isso sem nunca fugir da parte teórica. Dentro dessa metodologia, tive a oportunidade de participar dos treinos da equipe de futsal. Essa experiência foi muito interessante, pois consegui comparar a metodologia de trabalho utilizada com os níveis de exigência diferenciados. Portanto, através desse método, que pode ser utilizado desde iniciação até no alto nível, a única alteração significativa é o nível de exigência dentro das atividades. Ainda dentro da disciplina, tivemos a oportunidade de comparar as diferenças existentes entre um jogo profissional e um amador. Tanto durante o jogo amador quanto durante o jogo profissional fiquei responsável por realizar uma análise que dizia como as equipes atacavam e defendiam, além de características dos jogadores e dos goleiros. Tanto no jogo amador quanto no profissional, senti muita dificuldade em realizar essas análises. Isso para mim só ressaltou o trabalho da comissão técnica existido na maioria das equipes grandes. A análise é difícil, mas muito importante, com ela podemos verificar todos os pontos negativos e positivos da equipe adversária.

Em relação às diferenças entre os jogos profissionais e amadores, a diferença é gritante. Para mim, o jogo amador se mostrou muito mais corrido e menos técnico. A situação de um contra um também é bem mais evidenciada no jogo amador, principalmente pela recomposição defensiva ser bem menos eficiente do que no jogo profissional. No jogo profissional a posse de bola é mais valorizada e as situações de um contra um são mais raras. As equipes trabalham muito mais a bola antes de buscarem uma situação de gol. Para mim essas foram às principais diferenças observadas.
Por último, tive a oportunidade de participar como árbitro de um jogo da equipe feminina de futsal. Achei a experiência muito interessante e pretendo buscar cursos nessa área para ter a oportunidade de apitar outros jogos.
Por fim, acho que por tudo isso que já foi citado anteriormente, a disciplina conseguiu proporcionar experiências novas e despertou em mim uma nova forma de ver o futsal. Acho que seria interessante esse mesmo método ser utilizado em outras disciplinas práticas, pois proporcionar esse tipo de experiência faz com que conheçamos melhor o esporte, até em seu mais alto nível.

Por João Guilherme Lopes Martins

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Super Herói. Da telinha ao futsal

O desajeitado Chapolim colorado

Quando criança, víamos o homem aranha, super homem, he man, batman, entre outros tantos e ficávamos brincando com os nossos sonhos, desejando seus poderes, suas forças, até certo ponto suas prepotências. Sempre fã do Chapolim Colorado, nunca o considerei "super". Atrapalhado, desajeitado, fraco e medroso, quem quer um herói assim??? Depois de um tempo a gente cresce, amadurece, passa a questionar velhos conceitos, inclusive os de heróis, as velhas armas já não encantam mais. É preciso muito mais do que heróis criados, é preciso mais do que músculos, super poderes. Percebemos que eles não existem. Afinal de contas, não há existência sem amor, sem coração. Quando sentimos que toda força do mundo é inútil diante de um coração apaixonado, vemos o quão fraco eles se tornam.

Por sua vez, o grande Roberto Gómez Bolaños deu vida a um herói presente em cada um de nós. Todos os "defeitos" do besouro Chapolim são tão pequenos diante de sua maior arma: o bom coração. Ele consegue fazer de sua única arma a sua grande virtude. Ele derrota bandidos como Tripa Seca, Poucas Trancas e Quase Nada sem ter as vezes um plano inteligente para superá-los, ao coração, todo o mérito. Desmerecido até mesmo por quem pede sua ajuda, ele dá mostras do seu potencial. Está presente em todos os lugares, conquista por sua simpatia, simplicidade e desejo que as coisas dêem certo. Ali, em cada peleia ele deposita tudo o que tem e no final sempre consegue. Esse sim é um verdadeiro herói. Pra mim, o Chapolim traduz aquilo que mais vale na vida: o bom coração, ele é o retrato fiel do ser humano. Os outros heróis, me parecem extras terrestres, mais nada.




Assim como na telinha, no futsal vemos muitos desses heróis. Guerreiros, valentes que entregam seus corações a essa causa esportiva. Temos muitos desses, quero falar sobre um em especial: Ricardo Westphal. De Castro (PR), 27 anos, treinador de futsal. Meu parceiro Caidão nasceu com distrofia muscular ( uma doença progressiva de caráter hereditário, sua principal característica é a degeneração da membrana que envolve a célula muscular, é um termo amplo usado para designar um grupo de doenças genéticas que afetam os músculos causando fraqueza, dependendo do tipo de distrofia, afeta grupos de músculos diferentes e tem velocidade de degeneração variável) e sua paixão pelo futsal não foi abalada por sua condição inata. Atualmente, ele é treinador de futsal de várias equipes de futsal de sua cidade. Seu time principal disputa a chave bronze do futsal paranaense e se chama Nano Futsal (leva esse nome em homenagem ao seu irmão, já falecido pela mesma doença).
Me emociono ao falar dele, ele é um exemplo de que as condições não são capazes de mudar sua atitude, seu coração. Seus temores, seus segredos, inseguranças, nada mais do que características comuns a todos os seres humanos não são impedimentos para suas ações. Sua atitude é seu maior aval. Tenho muito orgulho de ver o quanto ele faz pelo futsal e o futsal faz por ele. Tenho prazer em dizer que ele e o Chapolim são meus heróis favoritos. Eles não deixam que as condições mudem suas atitudes.

Por fim, um versículo bíblico que define bem tudo isso: foi assim para que se manifestem nele as obras de DEUS (João 9,3).

Caido perfilado com seu time

Intelli épica...



Impressionante, espetacular. Vocês podem achar outros adjetivos para a final e eu assinarei embaixo. Jogo que se apostava no equilíbrio, o primeiro tempo foi um massacre catarinense, a defesa quadrante encaixada, velocidade no contra-ataque e a impaciência paulista foram determinantes para o placar. Intelli 0 x 4 Krona. Gols de Ricardinho (2), Café e Leco.
O segundo tempo fora paulista em seus primeiros minutos. Algo ocorreu dentro do vestiário da Intelli que devolveu o futsal esquecido no primeiro tempo. Não acho que ouve algum tipo de acomodação por parte da Krona, conhecedores da equipe adversária, duvido muito que eles agiriam com tal prepotência. Enfim, os 3 gols em poucos minutos foram determinantes para uma partida épica na sequência. Falcão achou dois passes sensacionais que Jé concluiu. Logo depois, num contra-ataque ele marcou e o jogo acirrou novamente. A Krona teve a chance de marcar, continuou defendendo bem e contara-atacando. No entanto, a quase 2 minutos do fim, com a Intelli com o linha goleiro, outra vez Falcão achou Vinicius que empatou a partida: 4x4. Título para a Intelli, muito mais do que merecido pelo investimento, pela cidade que incorporou o futsal a sua vida, ao patrocinador e ao elenco.


A Krona, cabe o lamento momentâneo da derrota, afinal de contas quem quer ganhar sempre se entristece com a derrota. No entanto, há uma certeza: o dever cumprido. Sobrou virtude, garra, determinação, coragem, disposição. Aos paulistas, os louros de um título muito justo, épico e com o tempero da união. Enfim, dois jogaços que encerraram essa grande liga da maneira que ela merece. Faço agora minha seleção da liga 2012. Lembrando a todos que aqui temos muita gente capaz de fazer parte do selecionado.

Goleiro: Guita (Intelli)                    
Beque: Rodrigo (ACBF)
Ala esquerda: Falcão (Intelli)
Ala direita: Simi (Corinthians)
Pivô: Vander Carioca (Joinville)
Técnico: Cidão (Intelli)

Abraço a todos e que DEUS os abençoe...


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Uma grande final para uma grande liga


Ontem, em Joinville (SC), ocorreu o primeiro jogo da final da liga 2012. Um grande jogo. Há quem diga que um jogo deve ter muitos gols, lá e cá ,defesas monumentais e muita emoção. nem sempre. O jogo desta quinta-feira reuniu dois ótimos elencos, treinadores do mesmo nível, arbitragem sem aparecer e um grande público num centro de eventos que se equiparou com o alto nível do espetáculo. Enfim, tudo para que a o primeiro jogo da final tivesse que ser como fora.
Não tenho como objetivo comentar os jogos, afinal de contas não é minha função. Quero me deter a outros aspectos dos jogos. Percebo que a cada dia que passa os jogos ficam mais intensos, impressionante o nível de desempenho físico a que chegam os jogadores. Aqui vai uma crítica aos tradicionalistas que ainda acreditam num modelo de periodização baseado nos aspectos físicos. Sabendo como trabalha Fernando Ferretti posso afirmar que a base física a que chegam suas equipes em nada tem de modelo cartesiano, sua metodologia é baseada na complexidade, na estrutura tática, o elemento inteligente do jogo, reafirmo que as variáveis físicas vêm de arrasto, inseridos nos objetivos técnico-táticos a que são submetidos seus atletas em seus treinamentos. Por outro lado, pouco posso falar sobre o Cidão, treinador da Intelli. Em tempo, algo me diz que ele trabalha da mesma maneira que Ferretti, PC, Marquinhos Xavier, mas isso é somente suposição minha, baseado na qualidade de seus jogadores e no nível de compreensão que eles tem do jogo e do que ele pede.



No jogo de ontem, percebemos a importância do pivô de referência, Vander Carioca foi tão importante que jogou além do tempo imaginado pelo treinador. Pela Intelli, Guita manteve o nível de atuação, vem pegando muito e nada mais, Ciço esbanja categoria, um grande senso de posicionamento. Ah, aos menos avisados, as equipes do Ferretti marcam muito, o grande lance é que jamais abrem mão de jogarem pra frente. Com isso, correm mais riscos, neste jogo, pela ausência de Valdim e Pixote, a Krona se tornou um pouco menos ofensiva, por motivos óbvios. Na parte defensiva das equipes, estou vendo, cada vez mais, os times correndo pra trás, o retorno defensivo das equipes tem melhorado sensivelmente. Se nota a importância de marcar.  A exigência que antes era pautada em cobrança hoje assume um hábito comportamental, um conceito ligado e determinado pelo modelo de jogo que seguem os treinadores. O nível de concentração das duas equipes foi altíssimo, mesmo com o goleiro linha, a marcação da Intelli foi eficiente e, quando a Krona chegou, lá estava Guita. Por vezes , com o goleiro linha, a bola atravessou a meta paulista e os catarinenses não fizeram. Sorte ou azar? Duvido, isso não existe. 
Em tempo, uma vez o grande treinador PC comentou que um dos grandes jogos da sua Ulbra fora uma derrota contra a ACBF em 2003, pois perderam jogando. Pelo jogo de ontem, Ferretti deve ter afirmado o mesmo, mostrando que o próximo embate deverá ser um grande jogo, cheio de possibilidades, com alternância na posse de bola, sem um time exageradamente defensivo ou ofensivo, será um jogo onde as variações das formações decidirá. Se por um lado Leco, Neto, Júlio, Ricardinho e Gessé marcam, do outro Junai, Ciço e Marinho também. Vander, Leandrinho, Keké e Murilo e do outro Deives, Jé, Vinícius e Falcão respondem ofensivamente.
Podem apostar, teremos um jogo muito vertical, com os treinadores apostando muito no jogo direto, os pivôs se destacando e a torcida mineira da paulista Intelli de Orlândia na mesma pressão com fizaram os catarinenses de Joinville. Se bem que, como ocorrera em Santa Catarina, o nível de maturidade dos dois times não se deixará levar pela pressão da torcida. Fica a dica, ESPN, segunda-feira as 19.00 (que horário e que dia para uma final), façam suas apostas... Eu já fiz!!!

Um grande abraço a todos e que DEUS os abençoe....

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Como o Brasil torce...

Público na Arena da baixada em Curitiba, antes da paralização para as reformas visando a Copa 2014


O blog do Beto Zini é um dos que mais busco notícias do futebol gaucho. Nele, encontrei essa entrevista tri legal galera. Espero que gostem...
http://wp.clicrbs.com.br/boladividida/2012/09/23/como-o-brasil-torce/?topo=13,1,1,,,13...

Como o Brasil torce


Nascido na Costa Rica, na América Central, 38 anos, torcedor do Flamengo, o professor, pesquisador e escritor Bernardo Borges Buarque de Hollanda estuda o futebol na cultura brasileira. Nesta entrevista, ele trata da torcida.
"É possível dizer que desde o final dos anos 1960 as autoridades britânicas estavam em busca de soluções para o comportamento “hooligan” na Inglaterra. O Relatório Taylor, de 1968, documenta esta preocupação, logo após a realização da Copa do Mundo naquele país. Depois de uma década e meia tentando contornar essa situação, o hooliganismo atingiu um limite crítico entre 1985 e 1989, quando ocorreram as tragédias nos estádios de Heysel e Hillsborough, com mais de uma centena de mortos. Neste momento, a perplexidade e a crise moral levaram os gestores ingleses – polícia, organizadores, patrocinadores - a rever toda a política econômica do futebol. Isto começou com a revisão radical da infraestrutura arquitetônica, que acabou, por exemplo, com os alambrados e as separações físicas entre campo e arquibancada, de modo a evitar mortes por superlotação" (Buarque de Hollanda).
(O verbo “torcer” ganhou novo sentido no futebol nos primeiros estádios de futebol da belle époque carioca, ainda no século passado. Em determinados momentos da partida, as mulheres, nervosas, torciam os lenços. Assim, “torcer” passou a ser associado ao calor das arquibancadas.)
Zini – Qual o impacto da Copa de 2014 sobre as torcidas organizadas no Brasil?
Bernardo Buarque de Hollanda – O impacto será parcial e indireto, uma vez que, se as torcidas organizadas participavam dos jogos da Seleção Brasileira até os anos 1980, nas últimas décadas, ao menos nas partidas realizadas no Rio de Janeiro, existe a política de policiamento que não permite a entrada dos uniformizados, a fim de evitar o estímulo às rixas clubísticas.
Zini  – Os novos estádios, as arenas, podem mudar o comportamento da torcida brasileira? Teremos torcedores mais comportados?
Buarque de Hollanda – As dimensões espaciais dos estádios refletem concepções não apenas arquitetônicas como de ordenamento social. Os formatos induzem a um tipo de comportamento desejado. Em uma entrevista concedida nos anos 1990, o arquiteto francês que projetou o Parque dos Príncipes, estádio do Paris Saint-Germain, revelou que o modelo para a construção daquela arena havia sido um zoo, por isto a existência de um fosso entre o campo e as arquibancadas. Depois das tragédias em estádios na Inglaterra, os fossos foram abolidos, como o será agora, com o novo Maracanã.
Zini – A plateia dos estádios (o torcedor) fará parte do novo espetáculo? Ou o futebol do futuro pode prescindir dos torcedores? Transformar tudo num espetáculo televisivo?
Buarque de Hollanda – Parece mais plausível pensar em uma ressignificação do modo de torcer do que no fim das torcidas. Justamente porque é um espetáculo televisivo, a tevê necessita da participação do torcedor, como forma de passar a sensação de emoção, exibindo a performance coletiva dentro do estádio. Por exemplo, nada mais performático para a televisão do que mostrar a “avalanche” da torcida do Grêmio após o gol do time. Boa parte das torcidas hoje atua com a consciência de que estão sendo filmadas, vide o próprio tamanho das faixas, em letras garrafais e dispostas em posições estratégicas para a captação das imagens. No Engenhão, duas torcidas organizadas, a Fúria Jovem do Botafogo e a Young-Flu, deixaram o setor atrás do gol e rumaram para o meio de campo, de modo a ficar estrategicamente situadas em frente à televisão.
Zini – Por que a violência faz parte do modo de vida das torcidas organizadas no Brasil?
Buarque de Hollanda – Não diria apenas no Brasil. Existe uma subcultura internacional de jovens torcedores, com três matrizes nacionais exportadas nos anos 1980: o modelo hooligan na Inglaterra, os ultras na Itália e os barra-bravas na Argentina. Nos três, há o apelo e a sedução grupal por condutas violentas, a partir do mecanismo básico de contraposição identitária: nós-eles. As diferenças se dão por conta do caráter instrumental da violência, ora como meio (as circunstâncias levam a soluções violentas), ora como fim (já existe uma premeditação para o confronto).
Zini – Qual o papel da tevê na transformação dos estádios?
Buarque de Hollanda – O papel da tevê é decisivo na alteração da fisionomia dos estádios. Ela altera a própria apreensão perceptiva de quem está nas arenas, haja visto a introdução dos telões. Torcedores, técnicos e jogadores são condicionados a ver os lances nessas telas gigantes, quando a distância e o ângulo de visão dificultam o acompanhamento do jogo. A média de capacidade dos estádios passa a ser 40 mil espectadores, o que garante boas receitas com ingressos majorados e facilita os mecanismos de controle por parte da polícia, com assentos numerados e predeterminados.